Educação

Enquanto Manga distribui Nutella, creches sofrem com mofo e rachaduras

Enquanto o prefeito Rodrigo Manga (Republicanos) celebra como um grande feito de seu governo a distribuição de pão com creme de avelã “sabor Nutella” na merenda das crianças, creches e escolas municipais padecem com a falta de manutenção, como é o caso do CEI 89 (Centro de Educação Infantil) Zilda Pereira Aguirella, na Vila Helena, e do CEI 63 “Reynaldo D’Alessandro”, no Alto da Boa Vista.

O CEI 63 fica ao lado da Prefeitura de Sorocaba, por onde se espera que Manga passe diariamente. Mesmo assim, ele não teria se atentado às condições da unidade, que está completamente tomada pelo mofo devido a problemas no telhado. A situação precária veio à tona depois que a escola teve de cancelar as aulas na quinta-feira (11), por não ter condições de receber as crianças, já que chovia dentro da unidade. Segundo a Prefeitura, o telhado da escola está sendo reformado. Os mofos, no entanto, já são antigos.

As vereadoras Iara Bernardi (PT) e Fernanda Garcia (Psol) estiveram na unidade na quinta-feira e documentaram, em vídeos, todos os problemas enfrentados na creche, que atende cerca de 150 bebês e crianças de até 5 anos em período integral.

Paredes completamente manchadas pela umidade, brinquedos amontoados e móveis danificados pela infiltração. Até um cogumelo crescendo no batente de uma porta foi filmado pelas vereadoras. “Parece uma casa abandonada”, admirou-se Fernanda ao entrar na escola. Já Iara demonstrou espanto ao comentar: “Nossa Senhora! O cheiro de mofo aqui…”.

Sem parquinho
No CEI 89, pais de alunos denunciam o descaso com a escola, que atende nada menos que 700 crianças. A deterioração das instalações e a falta de manutenção por parte do poder público preocupam pela integridade de alunos e servidores, que convivem diariamente com um teto que solta placas de cimento e muros com rachaduras profundas. Segundo relato encaminhado à reportagem, o muro da unidade apresenta fendas em toda a sua extensão há vários anos.

No parquinho destinado à diversão da criançada, só restou o gira-gira depois que um grande galho de árvore caiu na área de lazer dos pequenos. “Vieram na escola, retiraram o galho e os brinquedos do parquinho das crianças, mas, passados meses e meses, nem o muro foi consertado, nem os brinquedos recolocados. São 700 crianças sem ter onde brincar”, denunciou uma mãe.

Desde então, o espaço permanece abandonado, reduzindo as opções de lazer e convivência para as crianças atendidas pela unidade.

A informação repassada aos pais é de que a direção do CEI tem encaminhado pedidos de reparo à Prefeitura de forma recorrente. “Apesar disso, a única medida adotada até o momento foi o isolamento da área afetada, que está prestes a completar um ano sem qualquer intervenção para recuperação da estrutura”, reforçou a leitora.

Caso antigo
Em duas ocasiões, em junho de 2025 e em fevereiro deste ano, a vereadora Iara Bernardi (PT) esteve no CEI 89 denunciando os problemas na unidade. Na época, gravou vídeos mostrando a situação da escola, anunciada pelo governo Manga como “a maior da América Latina”.

Iara apontou diversos pontos do teto onde o cimento estava se soltando e havia infiltrações provocadas pela chuva. “Aqui não tem que ser emergencial. Aqui tem que ser a troca do telhado”, afirmou, citando a Construtora Estrela, responsável pela manutenção desse e de outros prédios da rede municipal de ensino.

Outro problema relatado era o desprendimento do piso cerâmico nos banheiros, corredores e salas de aula. A vereadora chegou a alertar para o risco de cortes nos pés das crianças.

Outro lado
A Prefeitura de Sorocaba, por meio da Secretaria de Comunicação (Secom), foi procurada para se manifestar sobre a situação estrutural dos CEIs citados.

Sobre o CEI 63, a Secretaria da Educação (Sedu), por meio da Gestão de Planejamento e Execução, informou que as obras de substituição do telhado foram impactadas por um episódio de chuva ocorrido durante a execução dos serviços, comprometendo as condições de utilização do prédio.

“Considerando a necessidade de assegurar a integridade física, a segurança e o bem-estar das crianças e profissionais da unidade, o atendimento no local foi temporariamente suspenso até que as condições adequadas sejam restabelecidas”, informou a nota.

Diante disso, serão adotadas as seguintes medidas entre os dias 12 e 19 de junho: remanejamento temporário das atividades do CEI 63 para o CEI 64, localizado em um raio de 2 quilômetros; manutenção da jornada de trabalho dos servidores e prestadores de serviço do CEI 63, com atuação no CEI 64 durante o período; reforço das equipes de alimentação escolar, limpeza e vigilância; e solicitação de intensificação do patrulhamento da Guarda Civil Municipal (GCM) na unidade durante a execução das obras.

“O atendimento às crianças retornará ao CEI 63 no dia 22 de junho. Durante esse período, a Sedu acompanha a situação de forma permanente e está adotando todas as providências necessárias para que o atendimento seja realizado com segurança, conforto e qualidade, minimizando os impactos às crianças e às famílias”, acrescentou a pasta.

Quanto ao CEI 89, a Sedu limitou-se a responder que o parque foi removido temporariamente para viabilizar a realização do corte da árvore, medida necessária para garantir a segurança dos alunos e servidores da unidade escolar. (REPRODUÇÃO/ REPORTAGEM PORTAL PORQUE)

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