Racismo é uma dura realidade no futebol
O caso de racismo sofrido pelo jogador Luighi do sub-20 do Palmeiras é totalmente inaceitável. Isso é um ponto que não cabe discussão.

Agora, o que esse caso e outros tantos que aconteceram no mundo do futebol nos últimos tempos, é um claro sinal de que o experimento ser humano não deu certo.
Hoje, o futebol é apenas mais um reflexo da nossa sociedade. Uma sociedade cada vez mais intolerante, superficial, sem amor ao próximo e cada vez mais individualista, onde o que mais importa é o bem pessoal e não coletivo. Mesmo que o pessoal cause danos irreparáveis ao coletivo.
Com relação ao caso Luighi, o mais triste é que o ato não será isolado e foi proferido por aquele que deveria ser exemplo para um novo ser humano, um pai. Pai esse, que com filho no colo mostrou a ele todo o ódio preso em seu íntimo e que ele expos diante de todos. E uma manifestação de ódio totalmente gratuita, que mostra ao filho dele que tudo é válido dentro de um campo de futebol, principalmente se for para desestabilizar um adversário.
Dentro do quesito esportivo, sanções deveriam ser aplicadas com severidade, mas esbarram em situações complicadas. Uma delas é que a sede da Conmebol é no Paraguai, o presidente é paraguaio e o clube Cerro Porteño é um dos mais tradicionais do país e figura constante na LIbertadores.

Com esse cenário de improvável punição, os clubes brasileiros envolvidos nas competições da Conmebol (Libertadores e Sulamericana) poderiam se unir em um protocolo único simples. Em todas as vezes que um jogador for vítima de racismo, a equipe simplesmente sai de campo e não volta mais.
Isso sendo feito, a Conmebol terá um grande problema nas mãos, pois terá que julgar os dois atos, tanto a saída da equipe, quanto o ato racista em si. E aí veremos os pesos das punições e vamos entender melhor qual a prioridade da entidade máxima da América do Sul.
Não sou a favor dos times brasileiros abandonarem as competições da América do Sul. Isso apenas vai fortalecer ainda mais os atos, visto que os clubes brasileiros nos últimos anos vem ganhando cada vez mais antipatia por conta dos últimos títulos alcançados. E pros demais clubes, a saída do Brasil seria um prato e tanto a ser saboreado, e não podemos dar esse gosto a eles.
Agora, a coragem de Luighi precisa ser louvável e ser seguida como exemplo. Questionou a pergunta feita, mostrou sua indignação sobre como o caso foi tratado e teve a coragem de fazer o que muitos não fazem, que é a de expor sua fragilidade e abalo emocional diante de um crime sofrido.
Essas lágrimas não são de fraqueza, e sim de uma pessoa que não entende como a cor de sua pele pode incomodar tanto uma pessoa, um estádio, uma sociedade. Agora, ele se junta a Vinicius Jr como um dos que vão em busca de uma justiça contra aqueles que fazem mal a toda uma etnia.
E mesmo que no Paraguai o ato praticado não seja considerado como racismo, o pais assinou a Declaração Universal dos Direitos Humanos, e nesta declaração é bem claro que:
“Todos os seres humanos têm direito aos direitos e liberdades proclamados na Declaração, sem distinção de raça, cor, sexo, religião, opinião política, origem nacional ou social”.
Então, é uma falácia se ampararem na questão da legislação nacional. É apenas tentar defender e amenizar o que é indefensável.
Uma pena eu não poder dizer “Somos todos Luighi”, porque infelizmente nem todos têm essa consciência social e humana.
Mas, àqueles que as têm, sempre estarão ao seu lado garoto.
Por Vitor Quartezani




