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Votorantim chega aos seus 62 anos vivenciando uma de suas piores crises políticas e financeiras da história

Votorantim chega aos seus 62 anos de emancipação político-administrativa, na próxima segunda-feira, dia 8, vivendo uma de suas piores crises administrativa-financeira.  Desde que assumiu o mandado, o prefeito Weber Manga (Republicanos), tem sido alvo de intensas críticas, denúncias de supostas irregularidades e uma crise financeira em que a administração municipal tem sido obrigada a cortar gastos com programas e atendimentos que afetam diretamente a população.

No “roteiro da crise” de Weber, irmão de Rodrigo Manga (Republicanos), o prefeito “tiktoker” de Sorocaba, cidade vizinha, há expediente a meio período e até corte de marmitex dos funcionários. Também há remanejamento na saúde, fechamento de prédios públicos, trocas constantes no secretariado e o número elevado de gastos em contratos emergenciais. A prefeitura disse que “passa por um problema de fluxo de caixa”

A situação se agravou em setembro, quando foi anunciado um pacote de medidas para conter a crise financeira. A primeira medida é com relação ao funcionamento da prefeitura ao público, que será das 12h15 até as 17h45. As férias serão dadas somente em situações obrigatórias. O servidor não poderá receber o valor em dinheiro, devendo ficar todo o tempo afastado das atividades.

Com relação às horas extras, todas estão suspensas até o fim do ano, sendo que situações excepcionais serão analisadas pelo secretário responsável pela pasta e, mesmo assim, ainda terão de ser autorizadas pelo prefeito.

Ao longo do ano, a prefeitura enfrentou problemas com o Tribunal de Contas do Estado de São Paulo (TCE-SP). Entre elas, a compra de uniformes, alvo de uma denúncia na qual o TCE impediu o pagamento de R$ 7,6 milhões.

Algumas situações também foram alvos de alertas do TCE. Entre elas, a análise do comportamento das receitas, nas quais foi encontrada, em agosto deste ano, uma situação desfavorável. Para o tribunal, ficou abaixo da meta de arrecadação, demonstrando, portanto, uma tendência ao descumprimento das Metas Fiscais, cabendo acompanhamento para eventuais adequações.

Além dos alertas, o TCE também já suspendeu e pediu alterações em sete licitações da cidade, somente em 2025.

Uniformes sem qualidade

O produto, alegam os pais, ainda não era de boa qualidade. Daiana Almeida, que mora no bairro Rio Acima, conta que o uniforme rasgou no segundo dia de uso.

“A gente recebeu os uniformes da escolinha do meu filho com muita esperança, porque era um uniforme de cor diferente, de formato diferente, nos olhos eram bem bonitos. Porém, no primeiro dia de uso, ele foi com a roupinha, voltou ao normal, no segundo ele já foi e voltou com a calça rasgada.”

No terceiro dia, ele, então, foi de bermuda, que também rasgou. “Então, nisso a gente viu que o problema não era na costura e, sim, no tecido. Foi encaminhado para a gente a devolução desse material que teria descosturado, porque eles iriam enviar um novo, porém, esse novo material que eles enviaram era o material do mesmo tecido, mesmo pano, que descosturou da mesma forma. Infelizmente, a gente teve que até optar por jogar fora, porque não tinha como usar.”

Compras emergenciais

A Câmara de Votorantim chegou a receber um documento no qual um munícipe relatava que as compras emergenciais e sem licitação na cidade passavam de R$ 42 milhões. Houve, inclusive, pedido de investigação contra o prefeito, que não prosperou.

Prédios fechados

Outras duas situações também chamam a atenção na cidade. A primeira diz respeito ao prédio da Unidade de Pronto-Atendimento (UPA) infantil. No final de agosto, o imóvel, feito especialmente para esse fim, foi fechado e os atendimentos pediátricos foram concentrados na UPA Central. O prédio segue fechado e sem destino.

Outro caso é relativo a uma creche modelo, que foi inaugurada em março de 2024. O prédio tem capacidade para atender 250 crianças, mas nunca funcionou de fato. A expectativa era começar a funcionar em julho deste ano, o que não ocorreu.

Problemas no Portal da Transparência

O Portal da Transparência também aponta atualizações de empenhos para 8 de outubro. Entretanto, o último lançado no sistema havia sido em 30 de setembro. No caso das liquidações, a última lançada no sistema havia sido em 1º de outubro, ou seja, com quase uma semana de defasagem.

Na parte de emendas, com relação a 2025, há apenas uma única informação, que tem ligação com uma emenda parlamentar de R$ 100 mil da deputada federal Simone Marquetto (MDB). Não há qualquer outra menção ou informação. É como se a cidade, em nove meses de 2025, tivesse recebido apenas uma emenda.

No caso da arrecadação do IPTU, o menu que deveria mostrar tudo o que foi arrecadado entre janeiro e outubro de 2025 não menciona qualquer valor, como se houvesse arrecadação. A única informação é sobre o total arrecadado.

Em receita, a última transferência na cota que cabe à cidade no fundo de participação do município é de 19 de setembro.

Outro problema está relacionado aos dados do terceiro setor. Não há qualquer informação disponível no espaço em que deveriam aparecer números como valor repassado e quais instituições receberam.

Trocas de secretários

Outro ponto notado nos nove meses de governo de Weber é a constante troca no secretariado. Foram pelo menos 11 mudanças no primeiro escalão, em casos que envolveram pastas-chave, como na Saúde, Finanças, Desenvolvimento Econômico e na Administração. Esse número já conta a saída de João Luis de Sousa, agora ex-secretário de Finanças da cidade.

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