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Cercadas de polêmicas, obras da marginal direita começam nesta quinta-feira

A Prefeitura de Sorocaba confirmou ao Portal Porque que as obras da marginal direita do Rio Sorocaba começarão nesta quinta-feira (14). Na manhã desta terça-feira (12), um comunicado da Prefeitura foi colocado nos para-brisas dos veículos estacionados na Rua Saliba Mota, na altura do número 2.000, o que deixou muita gente surpresa e sem saber o quê fazer nos próximos dias.

No panfleto, além de informar o início da escavação e o assentamento da drenagem da rua Saliba Mota nesta quinta, a prefeitura solicita aos moradores e comerciantes que “não estacionem na via ou na calçada no trecho em obras.”

Em resposta ao Portal Porque, a Separ (Secretaria de Parcerias) informou que as ações preliminares de marcações topográficas e locações, para a implantação das redes de drenagem, estão previstas para começar quinta-feira (14).

A reportagem esteve em diferentes trechos na Saliba Mota. Funcionários e prestadores de serviço da empresa Soma, que ocupa boa parte do quarteirão da Saliba Mota, estão preocupados com a situação. “Não sei como será… Acho muito complicado dar tão pouco tempo para a gente se organizar. Falam dessa obra há anos e de uma pra outra centenas de funcionários serão impactados”, disse uma funcionária que preferiu não se identificar.

Além de dezenas de carros com o comunicado preso ao para-brisa, o Porque conversou com trabalhadores envolvido na obra, que explicaram que para a drenagem são usados materiais enormes e não tem como ter veículos parados nos trechos afetados pela obra.

Antonio José Ayub, proprietário do grupo Soma, diz que os engenheiros da prefeitura estiveram na manhã desta terça conversando com ele para avisar sobre o início das obras e a solicitação de não estacionar na via. Dos 500 funcionários de todo o grupo, Ayub acredita que 200 usem a via, mas que pensará em alguma alternativa, entre elas, transformar em estacionamento os terrenos que possui na região.

“Eu ainda não fiz uma reunião aqui, vou fazer… Tudo que é progresso no começo traz inconveniência, traz desconforto, mas traz melhoria. Essa avenida uma hora ou outra tinha que sair”, afirma o empresário que é a favor da obra e conta que chegou a doar uma faixa de 450 metros ao projeto.

Já os comerciantes na altura do número 300 estão inconformados com a obra. Com receio de perseguição, um deles pediu para não ser identificado, mas disse que é contra por causa da destruição de dezenas de árvores com mais de 15 anos, como as mangueiras e coqueiros. “Boa parte dessas árvores foi plantada pelo Seu Benedito [figura conhecida na região], que com recursos próprios, comprava sementes, terra e vinha com os equipamentos deles. Eu não acredito que vai melhorar a mobilidade”.

Armando Jesus Machado, que trabalha há oito anos na academia na Saliba Mota, diz que não soube da entrega do panfleto. “Não vejo nenhum benefício nessa obra. Pelo contrário, vai mexer na fauna, sabendo da importância da natureza para o ar e para temperatura, sem eficácia, vai acumular o trânsito na Padre Madureira, não vai prosseguir. Aqui já houve diferentes enchentes, com perdas aqui na academia, imagina quando só tiver asfalto, nada que segure a água. E olha que a academia foi construída mais no alto”, diz Armando.

Mesmo tendo enormes prejuízos nas enchentes na Saliba Mota, Ayub é um ferrenho defensor da obra, inclusive afirma que doou à Prefeitura uma faixa de mais 400 metros da Saliba: “Cheguei a perder uns três milhões de reais ou mais com enchentes em carros, peças, móveis. Mas isso vai melhorar. Eles vão fazer um muro de arrimo muito grande e a pista será levantada em um metro e meio. Vai melhorar, eu tenho certeza!”, reforça o empresário.

Para a realização da obra da via expressa de 1.800 metros entre a Alameda Batatais (prolongamento da Av. XV de Agosto) e a Rua Saliba Mota a prefeitura fez um empréstimo milionário ao Banco de Desenvolvimento da América Latina e Caribé (CAF). De acordo com a gestão municipal, o custo da obra é de R$ 33,4 milhões. O projeto vai destruir 76 mil m² de mata ciliar, com árvores de espécies nativas de 20 a 30 anos. 

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