Brasil

Fabricantes de bebidas já veem redução de 50% nos pedidos

m fevereiro deste ano, o setor de bebidas estava em alta: o mercado de destilados no Brasil movimentou aproximadamente R$ 36,3 bilhões em 2024 — com aumento de 8,7% em relação ao ano de 2023. Oito meses depois, os casos de falsificação de produtos e intoxicação por metanol fizeram com que o cenário mudasse.

Com apenas uma semana desde a divulgação dos primeiros casos graves no Brasil, toda a cadeia de produção, composta por fabricantes (destilarias), distribuidores e bares, já sente os impactos das intoxicações em seus negócios.

A Geest Destilaria, localizada em Vargem Grande do Sul, com uma produção de aproximadamente 2,5 mil litros mensais, já sentiu uma queda de 50% nos pedidos de destilados (13 produtos). “O alarde e desinformação vem por Whatsapp, Instagram e outros meios. As mensagens são do tipo ‘não saiam de casa’. Com esse choque, muitos bares decidiram não comprar — achando que os destilados seriam proibidos indefinidamente”, fala Marcelo de Abreu, sócio da Geest.

A mesma situação acontece com a Single Fin, marca de gim produzida na Barra do Sahy. De acordo com a diretora de vendas da marca, Marina Bacciotti, a queda imediata nos pedidos foi de cerca de 50%. “Com potencial para uma queda de 80% no próximo mês — quando os pedidos para novas compras devem ser feitos”, disse. O maior impacto vem da desistência de compras por grandes eventos — como festas de empresas, casamentos e formaturas.

Falsificações não são novidade

É importante ressaltar que as falsificações não são uma novidade no mundo das bebidas. De acordo com um estudo feito pela Euromonitor International para a Associação Brasileira de Bebidas Destiladas (ABBD), o País deixou de arrecadar R$ 28 bilhões em impostos em 2024 por conta das falsificações etílicas. Ainda de acordo com a pesquisa, as falsificações representariam 28% do mercado de destilados.

Diferentemente de muitas fabricantes nacionais, as multinacionais estão preferindo não se manifestarem diretamente sobre os casos de falsificação e seus impactos nos negócios. Marcas como Diageo, Pernod, Campari, Bacardi e outras estão dando suporte para entidades do setor, como a Associação Brasileira de Bebidas. (Estadão Conteúdo)

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