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Manga e primeira-dama viram investigados no caso do prédio superfaturado da Sedu

O prefeito afastado de Sorocaba, Rodrigo Manga (Republicanos), e a primeira-dama Sirlange Frate Maganhato passaram a constar oficialmente como investigados no inquérito que apura a compra superfaturada do prédio destinado à sede da Sedu (Secretaria da Educação) — caso revelado em 2022 em furo do Portal Porque, que mostrou que o imóvel pago por quase R$ 30 milhões havia sido anunciado pouco antes por R$ 20 milhões.

A nova fase da apuração é conduzida pelo Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado) e por promotores da área de improbidade administrativa e marca, pela primeira vez, a inclusão do casal no rol formal de investigados do processo, que já resultou em condenações de ex-secretários municipais, um servidor aposentado e dois empresários.

Além de Manga e Sirlange, também são alvos da investigação o empresário e amigo pessoal do prefeito, Marco Mott, e o ex-secretário de Educação à época da aquisição, Márcio Bortolli Carrara. Até aqui, o foco principal das ações judiciais recaía sobre auxiliares do governo, mas a análise de novas provas — especialmente mensagens extraídas de celulares apreendidos — ampliou o escopo do inquérito e fez o caso avançar em direção ao núcleo político do Paço Municipal.

Apesar de envolver a atual gestão, o inquérito da Sedu não tem relação direta com a Operação Copia e Cola, da Polícia Federal, que levou ao afastamento de Rodrigo Manga do cargo de prefeito por 180 dias em outro processo.

Como tudo começou
A desapropriação do imóvel que passaria a abrigar a Secretaria da Educação ocorreu em 2021, primeiro ano da gestão Manga. Em 1º de dezembro daquele ano, a Prefeitura de Sorocaba pagou R$ 29,8 milhões por um prédio de cerca de 4 mil metros quadrados localizado na Rua Romeu do Nascimento, 247, no Jardim Portal da Colina, região do Campolim. O pagamento foi feito à AFF Empreendimentos Imobiliários e Participações Ltda., então proprietária do imóvel, representada pelo empresário Renato Fonseca.

O negócio começou a levantar suspeitas meses depois, quando o Portal Porque revelou que, até novembro de 2021 — poucas semanas antes da desapropriação — o mesmo prédio seguia anunciado em dois sites de imobiliárias pelo valor de R$ 20 milhões. Um dos anúncios, da imobiliária Hárea, ainda estava disponível na internet quando a reportagem foi publicada. A empresa confirmou que a última atualização da oferta ocorreu exatamente naquele mês, imediatamente anterior à compra pelo município.

Questionado pelo Porque à época, Renato Fonseca afirmou desconhecer o anúncio e disse que todo o processo de desapropriação, inclusive a definição do valor pago, havia sido conduzido exclusivamente pela Prefeitura. Ele declarou ainda que os antigos proprietários recorriam caso a indenização fosse fixada em R$ 20 milhões, por considerarem o imóvel mais valioso do que isso. (Matéria publicada pelo jornal Porque)

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