Saúde

Médica registra BO e denuncia falta de profissionais na maternidade de hospital em Sorocaba

Uma médica registrou um boletim de ocorrência e denunciou a falta de profissionais na maternidade do Conjunto Hospitalar de Sorocaba (SP). A unidade atende pacientes de 48 cidades da região e é referência no tratamento de gestantes e, principalmente, mulheres com gestações de risco.

Conforme apurado, a mulher disse que fez um plantão sozinha e que, durante 12 horas, não havia outro médico para receber pacientes. Na noite de domingo (9), por exemplo, não havia enfermeiras para fazer partos, segundo ela. No BO, a profissional diz que o setor de ginecologia e obstetrícia do CHS conta com 31 leitos para maternidade de alto risco e que, na quinta-feira (6), três leitos pré-parto e quatro leitos de recuperação estavam com pacientes.

O CHS é administrado pelo Serviço Social da Construção (Seconci-SP) e, até o dia dois de novembro, contava com uma empresa terceirizada para a contratação de equipes obstétricas. No entanto, a empresa avisou com 60 dias de antecedência que iria deixar de prestar o serviço.

Ainda de acordo com a reportagem, a médica informou que acionou o Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo (Cremesp), a Secretaria Estadual de Saúde e também a direção do hospital na quinta-feira (9).

Ela é contratada desde 2011, e disse  que é a primeira vez que passa por uma situação assim. A profissional, inclusive, fez um ofício para a Central de Regulação de Ofertas de Serviços de Saúde (Cross) pedindo para que as pacientes fossem transferidas para outras unidades.

“Se a gente tá dando plantão sozinho, sem uma dupla, e eu tenho uma intercorrência, eu não posso contar com a ajuda de um residente, porque ele ainda não é médico. Então, eu coloco em risco o meu CRM e a vida de pessoas que estão ali para receberem assistência”, desabafou a profissional, que preferiu não se identificar.

O CHS disse que está avaliando a situação e que não foi informado sobre a falta de médicos. Reforçou também que nenhum paciente deixou de ser atendido.

Em nota, o Cremesp informou que “o caso está sendo acompanhado pela Comissão de Defesa das Prerrogativas Médicas do Cremesp, que está tomando as providências cabíveis, por meio de fiscalização e apuração dos fatos”.

Já a Secretaria de Estado da Saúde (SES) afirmou que instaurou uma apuração para averiguar as denúncias registradas pela profissional.

“O CHS informa que, no plantão do dia 6/11, foram realizados nove atendimentos no pronto-atendimento da unidade e uma cesárea. Além da médica, atuaram também dois residentes e corpo de enfermagem completo. O CHS está finalizando a contratação de novos médicos até a próxima semana”, explicou.

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