Vereadores da base aliada impediram apuração de irregularidades na gestão Manga

Afastado do cargo por 180 dias pela Justiça Federal, no rastro da Operação Copia e Cola, o ex-prefeito de Sorocaba Rodrigo Manga (Republicanos) passou boa parte do mandato protegido por um escudo político quase intransponível na Câmara Municipal. Enquanto a Polícia Federal avançava na investigação de supostos desvios de R$ 123,7 milhões em contratos da saúde envolvendo a OS Aceni, o Legislativo se destacou pela omissão.
A cronologia dos fatos mostra que, ao menos, quatro tentativas de instaurar CPIs (Comissões Parlamentares de Inquérito) para apurar irregularidades na gestão da saúde (e possíveis esquemas de corrupção associados) foram derrubadas pela ampla base aliada do prefeito na Casa.
A movimentação pela abertura de uma CPI ganhou força após a deflagração da primeira fase da Copia e Cola, em 10 de abril deste ano. A operação mirava contratos firmados com a Aceni para administrar a UPA do Éden, a UPH Oeste e serviços de saúde mental, somando R$ 123,7 milhões, parte deles sem licitação e já considerados irregulares pelo TCE-SP (Tribunal de Contas do Estado de São Paulo). Mesmo diante do escândalo, a Câmara segurou a apuração.
Tentativas frustradas
A primeira tentativa ocorreu ainda em abril, quando a vereadora Iara Bernardi (PT) protocolou um pedido de CPI para investigar os contratos da Aceni. Recebeu apoio de Izídio de Brito (PT), Fernanda Garcia (PSOL) e Raul Marcelo (PSOL). Alexandre da Horta (Solidariedade) chegou a assinar, mas retirou a assinatura logo depois. O requerimento terminou com apenas quatro das nove assinaturas necessárias.

Diante da derrota, a bancada do PL, que se apresentava como oposição, protocolou um novo pedido (também voltado à Aceni) com apoio conjunto da esquerda. Dessa vez, assinaram Dylan Dantas (PL), Tatiane Costa (PL) e Roberto Freitas (PL), somados aos quatro vereadores da esquerda. O máximo alcançado foi sete assinaturas. O vereador Henri Arida (MDB) até assinou, mas recuou.
Antes disso, já havia ocorrido outra tentativa, em abril de 2024, para investigar possíveis vínculos entre contratos da Prefeitura e facções criminosas, citando, além da Aceni, as organizações Abrades e INCS. A proposta foi apresentada por Fernanda Garcia (Psol), Francisco França (PT) e Iara Bernardi (PT). O então presidente da Câmara, Cláudio Sorocaba (PSD), encerrou a sessão sem debate e conduziu diretamente às homenagens do dia.




