Denúncia de estupro de aluna gera protestos na Etec Fernando Prestes
Uma denúncia de estupro, que teria como vítima uma aluna da Etec Fernando Prestes, em Sorocaba, gerou uma onda revolta e protesto nas redes sociais e na própria unidade escolar. O caso envolve um adolescente de 14 anos, que teria sofrido a violência após matar aula e ser embebedada por dois colegas da escola, ambos de 15 anos, em um shopping da cidade.

O caso aconteceu em 11 de março, mas só foi descoberto pelos alunos nesta terça-feira (24). Os estudantes acusam a direção da escola de omissão e de esconder a situação. Segundo eles, a instituição tem responsabilidade porque o crime teria sido cometido no período em que os envolvidos deveriam estar na escola.
Ao Portal Porque, uma aluna contou que a suspeita é de que a direção da escola estava tentando abafar a situação. “O caso se tornou uma revolta geral, tanto pelo ocorrido quanto pelo pensamento de que a escola estava tentando varrer a situação para debaixo do tapete.”
Ela destaca que, durante o tempo em que a gestão não se pronunciou sobre o ocorrido, foram especuladas diversas versões sobre a violência e o motivo do silêncio da diretoria da escola. “Não seria um problema tão grande se essas versões não tivessem furado a bolha e gerado um ódio coletivo tão grande a ponto de exporem tanto a vítima quanto o agressor na internet’, completou a jovem, que preferiu não se identificar por medo de represálias da direção da Etec e dos agressores.
A indignação motivou uma manifestação dos alunos nesta quarta-feira (25) dentro da unidade escolar. De acordo com docentes, outro protesto ocorreu nesta quinta-feira (26) e uma marcha pública está marcada para às 16h, com concentração em frente a escola e caminhada até o bairro Campolim.

A aluna que conversou com o Porque disse que os estudantes pretendem fazer outros protestos motivados também por mais denúncias que existem dentro da Etec. “Hoje (26) nós ainda continuamos nos mobilizando por meio de passeatas e distribuição de cartazes na escola para não deixar o assunto morrer. Essas ações não são só por essa vítima, e sim, por todas as vítimas de assédio e abuso que sofrem dentro e fora do ambiente escolar”, reforçou.
O que dizem as partes envolvidas
A SSP-SP (Secretaria de Segurança Pública de São Paulo) informou que exames periciais na vítima foram solicitados ao Instituto Médico Legal e que as investigações seguem em andamento, sem dar mais detalhes sobre o caso por envolver menores de idade e crime sexual. A secretaria disse ainda que o caso está sendo investigado pela Diju (Delegacia de Infância e Juventude).
O CPS (Centro Paula Souza) afirmou, em nota, que repudia todo e qualquer ato de desrespeito ou assédio. A instituição diz que possui uma Comissão Permanente de Orientação e Prevenção contra o Assédio Moral e Sexual para capacitação de profissionais, visando conscientizar a comunidade acadêmica e seus funcionários sobre respeito irrestrito aos direitos civis.
A direção da Etec Fernando Prestes abriu procedimento administrativo e disse que colabora com a investigação. A estudante está em acompanhamento pedagógico para garantir a continuidade dos estudos. Já os dois alunos suspeitos estão em regime domiciliar até a conclusão do caso. A escola informou também que vai adotar medidas após o resultado das apurações.




