Denúncia do Jornal Porque barra doação de terreno de R$ 7 milhões à ONG do presidente da Câmara
Após reportagem publicada pelo Portal Porque, a Mesa Diretora da Câmara Municipal de Sorocaba cancelou a sessão extraordinária marcada para esta terça-feira (2), que previa a votação do projeto de lei autorizando a doação de uma área pública avaliada em quase R$ 7 milhões à Acap (Associação Christã de Assistência Plena). A entidade tem como fundador o presidente do Legislativo, vereador Pastor Luís Santos (Republicanos), enquanto sua esposa, Rosa Queiroz, integra a diretoria da associação.

O cancelamento da sessão extra foi confirmado no fim da tarde desta segunda-feira (1º) pela assessoria da presidência da Casa e, conforme admite o próprio gabinete de Luís Santos, ocorreu em meio à repercussão negativa gerada pela denúncia publicada com exclusividade pelo Portal Porque no sábado (29). Apesar da suspensão da sessão, o projeto pode ser colocado em votação a qualquer momento.
Além do evidente conflito de interesses com o projeto, moradores do Jardim Pagliato e do Jardim São Carlos também procuraram a reportagem para manifestar outras preocupações. Eles criticam a falta de diálogo com a comunidade, os possíveis impactos à segurança com a destinação do terreno, além da entrega de um patrimônio público para uma entidade diretamente ligada ao chefe do Legislativo e à sua esposa.
A mobilização já resultava na organização de um protesto no plenário da Câmara nesta terça (2), liderado por moradores do Jardim São Carlos com apoio da AMBR (Associação dos Moradores de Bairros Residenciais Jardim Pagliato e Região).
O projeto prevê a transferência de um terreno de 5.402 metros quadrados, localizado na Rua Professor Magalhães de Noronha, no Jardim São Carlos. Atualmente classificada como Área Institucional, a propriedade teve seu valor avaliado pela Prefeitura, em agosto de 2025, em R$ 6.978.843,80.

Para os moradores, o principal receio está na destinação de uma das áreas mais valorizadas e em expansão da zona sul para uso institucional privado, enquanto a região carece de equipamentos públicos básicos, como escola municipal, UBS e espaços comunitários. Parte da população também defende que o local seja preservado como área verde pública.
A preocupação com a segurança também ganhou destaque. A Acap atua no acolhimento de pessoas em situação de rua, jovens, adultos, idosos e famílias em vulnerabilidade social. Embora reconheçam a relevância do trabalho social desenvolvido pela instituição, os residentes temem impactos da instalação da unidade sem estudos técnicos, planejamento urbano ou qualquer diálogo prévio com a vizinhança.




