Votorantim chega aos 60 anos com uma cidade pujante, mas com diversos desafios a serem superados
Ao longo das últimas seis décadas, Votorantim deixou de ser um núcleo operário e se transformou em uma cidade estratégica no interior paulista, com forte presença industrial, crescimento urbano e papel crescente na Região Metropolitana de Sorocaba.

Entretanto, possui desafios importantes a serem superados. Um dos principais desafios de Votorantim para os próximos anos está na educação. A cidade chega aos seus 60 anos com indicadores que apontam para a necessidade de reflexão e, sobretudo, de investimentos, projetos e ações efetivas para reverter esse cenário, segundo especialistas.
De acordo com dados do IBGE e da Fundação Maria Cecília Souto Vidigal, cerca de 44,37% das crianças de 0 a 3 anos em Votorantim se enquadravam nos critérios do Índice de Necessidade por Creches. Desses dados, referente a 2023, 32,56% são filhos de mães economicamente ativas ou que seriam, se houvesse vagas em creches. Outros 8,97% são filhos de famílias pobres residentes da zona urbana.
Se a falta oferta de vagas em creches na cidade é um problema, a qualidade do ensino oferecido na rede pública não é diferente e requer atenção especial, segundo especialistas. Exemplo são demonstrados através dos resultados do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) 2023, que revelou que o nível de desempenho dos alunos das escolas municipais e estaduais de Votorantim está abaixo da meta estipulada e esperada pelo Ministério da Educação (MEC).
De acordo com os dados, em Votorantim os alunos dos anos iniciais do Ensino Fundamental da rede municipal de ensino, ou seja, geridas pela Prefeitura Municipal, que vai do 1º ao 5º ano, em 2023, atingiram a nota 6,4, abaixo da meta estipulada pelo MEC, que seria de 7,0. A nota é inferior à média do Estado, que foi de 6,5.

Cidade dos condomínios e das favelas
Dentre tantos e importantes desafios urbanos, a segregação residencial é um dos mais urgentes a serem enfrentados. Se por um lado tem sido reconhecida como uma das cidades que mais tem recebido condomínios de alto padrão na Região Administrativa de Sorocaba, por outro, há um dado que demonstra um a mesma proporção no que se refere à desigualdade social, uma fez que é a segunda cidade da RMS com maior número de favelas ou comunidades urbanas, totalizando 9 territórios. Ao todo, 3,85% da população vivem nesses espaços, o que representa quase 5 mil pessoas, morando em 1,6 mil residências.
Os dados são parte dos resultados da pesquisa “Censo Demográfico 2022: Favelas e Comunidades Urbanas: Resultados do Universo”, realizada pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). De acordo com os dados, das 4.919 pessoas que moram nessas comunidades, 2.028 declararam brancas, outras 2.371 pardas e 512 pretas. Desse total, 2.481 são homens e 2.438 são mulheres.
Votorantim chega aos seus 60 anos, com gargalos de mobilidade que são alvo de intensas reclamações por parte de moradores. Para se ter ideia, de 100 cidades do País avaliadas no quesito mobilidade, no Ranking Connected Smart Cities 2024, Votorantim aparece na posição 85, ficando atrás de Jandira, Itu, Valinhos, Salto, Barreira (BA), Ibirité (MG) e Embu das Artes.
O crescimento desordenado, a chegada de diversos condomínios residenciais e a falta de um planejamento em infraestrutura adequado a curto, médio e longo prazo, são apontados por especialistas como os principais fatores.
Para se ter ideia, a frota de automóveis e veículos comerciais leves, caminhões, ônibus e motocicletas que circulava pelas ruas da cidade em 2016 era de 63.029, de acordo com dados do Departamento Nacional de Trânsito (Denatran). Atualmente, esse número saltou para 84.806, ou seja, 21.777 a mais em oito anos.
Com mais veículos circulando nas ruas, maior transtorno de trânsito, maior o tempo em que se leva para se deslocar de um lugar a outro e um outro problema surgiu, que tem afetado a economia local: a falta de vagas para estacionar na avenida 31 de Março e também nas ruas da região central de Votorantim.
Para o especialista em Políticas Públicas, José Carlos Rosa, é preciso uma mudança de pensamento dos gestores, que não pensam na cidade para futuro e buscam apenas por obras imediatistas como forma de visibilidade política. “Situação que pode ser observada não apenas em Votorantim, mas em várias cidades do país. É preciso planejar as cidades, não apenas em obras, mas em projetos e ações em várias áreas, como na educação, para que se tenha uma cidade bonita, planejada, com qualidade de vida e cidadãos preparados para o futuro”, destacou.




